2.2 Desenho Epidemiológico e Critérios de Comparabilidade em Dados Secundários
A avaliação sistemática das disparidades no uso de cuidados em saúde no contexto do Sistema Único de Saúde requer a adoção de estratégias analíticas capazes de capturar simultaneamente a distribuição de recursos e os diferenciais de desfecho materno. A aplicação de índices de concentração ajustados permite estimar a magnitude das iniquidades socioeconômicas e raciais na utilização de serviços preventivos e hospitalares ao longo de séries temporais representativas [4]. A mensuração rigorosa desses diferenciais apoia-se na decomposição de dados secundários oriundos de inquéritos nacionais e registros de internação, possibilitando isolar fatores institucionais que condicionam a oportunidade do cuidado [4]. Em sistemas públicos universais, as assimetrias na atenção obstétrica associam-se frequentemente a entraves na implementação de fluxos de financiamento e a desarticulações entre gestores e unidades prestadoras, gerando variações sensíveis na qualidade da assistência ofertada em diferentes territórios [2]. A investigação metodológica proposta ancora-se no cruzamento de indicadores epidemiológicos consolidados com métricas de utilização de leitos e procedimentos obstétricos, estabelecendo parâmetros comparativos que evidenciam onde se concentram as maiores barreiras de acesso e quais mecanismos de alocação de recursos perpetuam a vulnerabilidade de grupos historicamente marginalizados [2], [4].