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Mercado Regulado de Carbono no Brasil, Desenho e Integridade

A estruturação de mercados regulados de carbono constitui um mecanismo indispensável para a alocação eficiente de custos de abatimento e cumprimento de compromissos climáticos soberanos. O marco regulatório brasileiro inaugurado pelo Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões enfrenta o desafio de harmonizar ambição ambiental, segurança jurídica e solidez contábil em sua regulamentação infralegal. A preservação da integridade ambiental do sistema demanda uma governança robusta de dados, critérios rígidos de adicionalidade e alinhamento estratégico com os esquemas internacionais de precificação.

Objetivo do trabalho

Avaliar a integridade ambiental e a coerência do desenho regulatório do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões face aos padrões internacionais de mercado.

Metodologia

Revisão bibliográfica e análise documental comparada de legislações, atos normativos e relatórios multilaterais de precificação de carbono.

Originalidade científica

Examina o marco legal recém-aprovado da Lei nº 15.042/2024 a partir de uma matriz integrada de integridade ambiental, governança contábil e potencial de acoplamento externo.

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Tese de Doutorado

DegreeType
Mercado Regulado de Carbono no Brasil, Desenho e Integridade

Autor/a:

Group

Nome Completo

Orientador/a:

Prof. Dr./Dra. Nome

Cidade, 2026

Sumário

Introdução
Capítulo 1. Fundamentos Teóricos e Regulatórios do Comércio de Emissões
1.1 Economia ambiental e instrumentos de precificação de carbono
1.2 Arquitetura internacional do clima e os mecanismos do Acordo de Paris
1.3 Sistemas de comércio de emissões: princípios de cap-and-trade e baseline-and-credit
1.4 Integridade ambiental e critérios de adicionalidade no contexto global
Capítulo 2. Trajetória Legislativa e Arquitetura do Mercado Regulado Brasileiro
2.1 Evolução das políticas climáticas nacionais e a formulação do SBCE
2.2 Análise dogmática e institucional da Lei nº 15.042/2024
2.3 Atribuições da governança climática e coordenação federativa
2.4 Setorização e delimitação de escopo: limites e exclusões setoriais
Metodologia
3.1 Delineamento da abordagem qualitativa e documental comparada
3.2 Critérios de integridade ambiental, coerência normativa e solidez institucional
3.3 Matriz avaliativa dos parâmetros de alocação de licenças e tetos
3.4 Limitações metodológicas no exame de marcos regulatórios emergentes
Capítulo 4. Mecanismos de Monitoramento, Contabilidade e Transparência
4.1 Diretrizes de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV) no SBCE
4.2 Enquadramento contábil, tributário e natureza jurídica dos ativos de carbono
4.3 Tecnologias de registro distribuído e blockchain na mitigação de fraudes
4.4 Prevenção de dupla contagem e governança de dados climáticos
Capítulo 5. Análise Comparada e Prospectiva de Interconexão Internacional
5.1 Lições da experiência europeia (EU ETS) e mecanismos de estabilidade
5.2 A experiência latino-americana e dimensões de justiça socioambiental
5.3 Potencial de acoplamento (linking) com blocos desenvolvidos e em desenvolvimento
5.4 Competitividade industrial, vazamento de carbono e medidas de ajuste de fronteira
Capítulo 6. Desafios de Implementação e Recomendações de Política Pública
6.1 Agenda regulatória infralegal e consolidação de tetos de emissão
6.2 Salvaguardas para a integridade de offsets e créditos de compensação
6.3 Diretrizes estratégicas para mitigação de custos e maximização ambiental
Conclusão
Referências

Introdução

A estruturação de instrumentos econômicos voltados à mitigação climática representa um vetor estratégico para a transição ecológica global, fundamentando-se em esquemas de precificação destinados a internalizar as externalidades negativas das emissões de gases de efeito estufa [1]. No contexto brasileiro, o estabelecimento do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), consolidado pela Lei nº 15.042/2024, marca a transição de iniciativas voluntárias fragmentadas para um regime jurisdicional obrigatório, concebido para direcionar o setor produtivo rumo a trajetórias de descarbonização compatíveis com as metas nacionais [7][8].

Contudo, a efetividade de um sistema cap-and-trade depende de sua integridade ambiental, estabilidade normativa e coerência nos mecanismos de alocação de licenças [3][5]. A tramitação legislativa do marco legal brasileiro evidenciou disputas em torno do escopo setorial, da exclusão de atividades econômicas representativas e da indefinição sobre o enquadramento contábil e tributário dos créditos transacionados [6][7]. Essas lacunas impõem riscos de enfraquecimento do sinal de preço, suscetibilidade a fraudes de mensuração e dificuldades de coordenação regulatória infralegal, comprometendo a credibilidade dos ativos transacionados perante contrapartes internacionais [2][8].

Diante dessas transformações e incertezas, esta investigação tem como propósito examinar o desenho normativo e institucional do mercado regulado de carbono no Brasil, avaliando suas garantias de integridade ambiental e viabilidade operacional face aos padrões internacionais de precificação [1][8]. Para atingir esse objetivo, o percurso metodológico adota uma matriz qualitativa e comparativa de análise documental e legislativa, confrontando as diretrizes do SBCE com experiências consolidadas no exterior e com os requisitos de governança do Acordo de Paris [3][4].

A relevância acadêmica e prática deste estudo reside em sistematizar critérios analíticos para a formulação dos atos infralegais indispensáveis à entrada em operação do sistema nacional [5][8]. A pesquisa contribui para o debate regulatório ao apontar soluções para a rastreabilidade das transações, harmonização tributária e gestão dos impactos socioambientais da política climática, fornecendo subsídios técnicos fundamentados para a consolidação de um mercado de carbono robusto e internacionalmente competitivo [1][2][6].

3.2 Critérios de integridade ambiental, coerência normativa e solidez institucional

O delineamento metodológico desta pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativo-analítica de natureza documental, orientada à verificação da coerência dogmática, solidez institucional e integridade ambiental do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões. A construção da matriz de análise operacionaliza a triangulação entre o regime jurídico instituído pela Lei nº 15.042/2024, as formulações doutrinárias do direito ambiental e as diretrizes regulatórias para a precificação de emissões. O quadro analítico desdobra-se em três eixos interdependentes. O primeiro eixo avalia a consistência formal e substantiva dos dispositivos normativos primários, examinando a robustez dos critérios de salvaguarda, os regimes de governança setorial e as exigências de conformidade legal (SILVA et al., 2026). O segundo eixo investiga a governança e o desenho de mercado, aplicando parâmetros técnicos consolidados pela literatura especializada para avaliar a transparência dos tetos de emissão e os mecanismos de mitigação de distorções concorrenciais (FGV, 2022). O terceiro eixo examina a capacidade institucional de coordenação e a integração dos sistemas de mensuração, reporte e verificação com as metas soberanas de mitigação climática (INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS, 2025). A aplicação dessa matriz permite confrontar o texto normativo emergente com padrões internacionais de contabilidade de carbono, assegurando rigor na identificação de lacunas infralegais e na avaliação da eficácia sistêmica do modelo regulatório nacional.

Referências

  1. Potential trading partners of a brazilian emissions trading scheme: The effects of linking with a developed region (Europe) and two developing regions (Latin America and China)
    Thais Diniz Oliveira, Angelo Gurgel, Steve Tonry
    Link DOI
  2. Blockchain for the carbon market: a literature review
    André Luiz Coelho Merlo, Diogo Mendonça, Joel dos Santos et al.
    Link DOI
  3. EU Emissions Trading System (ETS): Towards zero carbon maritime transportation and Green Ports
    Garyfallia Selimi
    Link DOI
  4. The Environmental Justice Dimension of the Mexican Emissions Trading System
    Danae Hernandez-Cortes, Erick Rosas-López
  5. Dez recomendações para um mercado de carbono regulado no Brasil
    Guilherme Borba Lefevre, Gustavo Velloso Breviglieri, Guarany Ipê do Sol Osório
  6. Mercado regulado de carbono no Brasil: um ensaio sobre divergências contábil e tributária dos créditos de carbono
    André Luis Rocha de Souza, Guineverre Alvarez, José Célio Silveira Andrade
  7. O mercado regulado de carbono no Brasil
    Adriana Carvalho Pinto Vieira, Junior Ruiz Garcia, Carine de Almeida Vieira et al.
  8. Análise crítica da lei nº 15.042/2024: mercado de carbono e sustentabilidade no Brasil
    Emerson Reginaldo Caetano, Felipe Kern Moreira

Bibliografia

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