3.1. Dinâmica de contratação, autonomia e segurança laboral
A expansão de processos produtivos associados ao nearshoring reconfigura as estruturas de contratação e as condições de trabalho nos mercados recetores. Ao aplicar o quadro analítico da segmentação laboral a este fenómeno, observa-se que a inserção periférica em vínculos flexíveis não conduz necessariamente a uma degradação linear da autonomia ou a uma acentuação drástica da precariedade física (crossref-10-31235-osf-io-vs549-v1, 2025). As trajetórias profissionais anteriores exercem uma influência determinante sobre os padrões de qualidade do trabalho, moderando o impacto que as tipologias contratuais temporárias poderiam exercer sobre o bem-estar ocupacional. Simultaneamente, o aumento da procura de mão-de-obra promovido pela concentração de novas unidades produtivas altera a dinâmica concorrencial dos mercados locais de trabalho. Quando a pressão da procura se intensifica, verifica-se uma ampliação substancial das oportunidades de mobilidade voluntária para postos de trabalho superiores, acompanhada por melhorias generalizadas não apenas nas remunerações, mas também nos benefícios associados, no interesse pelo trabalho e nas perspetivas de progressão profissional (crossref-10-65864-s6ydhxfnxq, 2026). Deste modo, os efeitos do nearshoring na qualidade do emprego revelam uma dinâmica bidirecional: embora subsista a exigência empresarial por adaptabilidade nas relações laborais, a intensificação das oportunidades de recrutamento confere aos trabalhadores maior capacidade de negociação e acesso a comodidades ocupacionais mais favoráveis. Assim, a regulação eficaz e a consolidação da atividade económica regional surgem como fatores determinantes para que a proximidade produtiva impulsione padrões sustentáveis de valorização laboral.