2.1. Condicionantes estruturais na periferia europeia e assimetrias de força de trabalho
A aplicação dos quadros teóricos de atração e repulsão ao fluxo de profissionais de saúde revela que a emigração de enfermeiros a partir do sul da Europa não constitui um mero fenómeno espontâneo, mas sim uma dinâmica estruturada de mobilidade impulsionada por assimetrias no mercado laboral e por estratégias institucionais de captação internacional (W2951041272). A vulnerabilidade contratual e as discrepâncias nas condições de trabalho dos sistemas periféricos funcionam como fatores determinantes de repulsão, enquanto a procura ativa por força de trabalho altamente qualificada nos países do norte europeu consolida circuitos migratórios persistentes. Conforme sublinham as abordagens sobre métricas e planeamento de recursos humanos em saúde, a ausência de monitorização contínua e de políticas eficazes de fixação compromete a capacidade de resposta dos serviços públicos, aprofundando o défice de profissionais essenciais e desestabilizando o planeamento sanitário a longo prazo (W2588124998). Deste modo, a transferência sistemática de capital humano qualificado intensifica as disparidades regionais no espaço europeu, convertendo o investimento formativo dos países emissores num subsídio indireto para os sistemas de saúde recetores. Esta assimetria traduz-se numa dependência estrutural em que a mobilidade laboral responde às necessidades operacionais dos destinos mais abastados, agravando a escassez e fragilizando a sustentabilidade dos cuidados nas regiões de origem.