1. Modelos Teóricos e Determinantes da Mobilidade Global em Enfermagem
A conceptualização dos fluxos migratórios na área da enfermagem oscila entre abordagens centradas em determinantes individuais e modelos críticos de economia política. Numa perspetiva macroestrutural, o movimento transnacional de profissionais de saúde constitui uma manifestação do desenvolvimento global desigual e da mercantilização do recrutamento, desafiando leituras simplistas que reduzem a escassez de recursos humanos a meras falhas de gestão local ou a narrativas de perda unilateral de competências ("International Medical Migration", 2014). Por outro lado, investigações focadas no continente africano articulam as disparidades salariais e a sustentabilidade profissional com continuidades históricas e linguísticas, demonstrando que os países de destino reproduzem frequentemente dependências coloniais prévias e estratégias diretas de captação institucional ("African Nurses on the Move", 2025). Adicionalmente, análises com perspetiva de género evidenciam que a composição maioritariamente feminina da profissão introduz especificidades sociais e familiares frequentemente desconsideradas pelas políticas públicas de recrutamento internacional ("Caribbean Nurses Migrating to the UK", 2009). Deste modo, enquanto as teorias sociológicas críticas enfatizam a reconfiguração estrutural do trabalho em saúde e os padrões de subinvestimento sanitário ("International Medical Migration", 2014), os estudos empíricos sobre trajetórias migratórias sublinham o peso das afinidades culturais e a desregulação dos canais de intermediação como fatores que agravam a vulnerabilidade laboral dos profissionais ("African Nurses on the Move", 2025). Assim, a síntese destas abordagens teóricas elucida que a emigração em enfermagem transcende decisões individuais, resultando de assimetrias estruturais do sistema mundial.