3.1. Alocação de recursos, mercado imobiliário e pressões nas cidades universitárias
A análise da crise habitacional estudantil nas cidades universitárias portuguesas evidencia a sobreposição direta entre vulnerabilidades socioeconómicas persistentes e a capacidade de resposta operacional das instituições de ensino superior. Por um lado, as dinâmicas de ajustamento e os constrangimentos estruturais associados ao contexto macroeconómico português condicionam profundamente a alocação de recursos estatais a infraestruturas de suporte comunitário e universitário (Blanchard & Portugal, 2013). Esta contenção de recursos reflete-se na administração dos serviços de residência e suporte ao estudante, os quais enfrentam crescentes dificuldades para conciliar a viabilidade institucional com a disponibilização de alojamento a custos acessíveis (Schuh et al., 2022). Por outro lado, o desfasamento sistemático entre a oferta habitacional e as necessidades reais dos discentes deslocados desencadeia pressões socioemocionais graves, amplificando narrativas e vivências de crise na saúde mental e no bem-estar estudantil (Mills, 2020). Assim, ao articular a perspetiva económica com a análise prática dos serviços institucionais, observa-se que a escassez habitacional atua como um entrave estrutural multidimensional, transferindo os custos da ineficiência do mercado imobiliário diretamente para os estudantes e fragilizando a equidade no ensino superior em Portugal.