4. Determinantes Regionais da Evasão no Cenário Pós-Pandêmico: Discussão Crítica e Lacunas
A análise comparativa dos determinantes da evasão escolar no ensino médio demonstra que a interrupção das trajetórias formativas não constitui um fenômeno meramente individual, mas reflete assimetrias territoriais históricas sobrepostas às fraturas pós-pandêmicas. A literatura nacional evidencia que a distorção idade-série e a urgência de inserção no mercado de trabalho informal figuram como os principais vetores de afastamento discente (SILVA et al., 2017). Em análises focadas no contexto regional nordestino, observa-se que as disparidades de infraestrutura física e a carência de suporte socioassistencial nas redes públicas potencializam o desengajamento acadêmico (SOUZA et al., 2018). No cenário de retomada presencial, tais vulnerabilidades tornam-se ainda mais agudas diante das lacunas de aprendizagem acumuladas e das dificuldades de adaptação pedagógica às novas diretrizes curriculares nas escolas com recursos escassos (SANTOS; PEREIRA, 2025). Embora haja consenso sobre o papel dos fatores socioeconômicos, identifica-se uma lacuna persistente na investigação dos microdeterminantes comunitários que diferenciam a retenção em centros urbanos e áreas rurais pós-pandemia. Por fim, esta discussão apresenta limitações metodológicas associadas à subnotificação e à heterogeneidade nos critérios de registro censitário do abandono escolar entre as unidades federativas, exigindo cautela na generalização irrestrita dos achados.