3.1. Viabilidade financeira e competitividade frente ao modelo linear
A transição para arranjos produtivos circulares na cadeia têxtil confronta barreiras estruturais que comprometem a viabilidade econômica de modelos regenerativos perante a concorrência dos sistemas lineares tradicionais. Ao analisar as restrições internas e externas nas organizações, observa-se que a ausência de infraestrutura formal para a logística reversa e a fragmentação da cadeia de suprimentos limitam severamente o aproveitamento de resíduos pós-consumo (doaj-92d9abc00f9a4cc59c19f7d1a4bd8788, 2026). Essas limitações logísticas geram pressões financeiras contínuas e acentuam a assimetria tecnológica entre empresas de menor porte e os conglomerados industriais consolidados. Ademais, a competitividade de preços representa um obstáculo crítico, visto que insumos circulares e processos de recuperação exigem investimentos vultosos que elevam os custos operacionais em relação aos artigos convencionais (W4224982919, 2022). Essa dinâmica desfavorável é agravada pela prevalência da cultura de consumo atrelada ao modelo de fast fashion, na qual o apelo de aquisição rápida e de baixo custo ofusca o valor ecológico dos materiais reciclados (W3211477698, 2021). Embora a conscientização ambiental tenha avançado, a percepção dos consumidores acerca dos impactos éticos e ecológicos da cadeia têxtil permanece restrita, mantendo a demanda direcionada a produtos de descarte acelerado. Dessa forma, a superação do paradigma linear depende da implementação conjunta de políticas públicas e incentivos regulatórios que estimulem a infraestrutura de triagem e a padronização dos fluxos de reciclagem reversa. Sem a integração entre o suporte governamental e a colaboração intersetorial, a transição têxtil permanecerá limitada a iniciativas pontuais, incapazes de reverter a predominância do descarte linear.