4.1. Desfasamento entre mandatos legais de direitos e práticas de gestão universitária
A análise crítica da literatura académica revela uma dissociação notável entre a retórica universalista dos direitos humanos e os arranjos regulamentares que governam o ensino superior contemporâneo. Conforme postulado nos debates sobre cidadania e direitos sociais, o acesso a instituições de ensino superior constitui um pilar fundamental da pertença democrática e da coesão cívica [2]. Não obstante, quando esta premissa é confrontada com a realidade dos regimes de bem-estar social, observa-se uma tendência para estratificar direitos com base no estatuto de residência e na nacionalidade [5]. As instituições universitárias frequentemente reproduzem mecanismos seletivos que impõem encargos documentais e custos adicionais a estudantes de origem imigrante, restringindo a igualdade de oportunidades [3]. Esta lacuna teórica e prática evidencia que a garantia formal de direitos não se traduz automaticamente em equidade de acesso sem reformas estruturais dedicadas à desburocratização de equivalências e à criação de regimes de tutela financeira abrangentes.