Discussão: Desafios Estruturais e Programas de Gestão de Antimicrobianos
A persistência e a disseminação de clones resistentes a carbapenemos nos hospitais públicos evidenciam uma relação direta entre o uso empírico inadequado de antimicrobianos e a falência de barreiras de contenção ambiental [2] [3]. Conforme demonstrado em evidências recentes sobre a epidemiologia de patógenos prioritários, a circulação intrahospitalar de estirpes de Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa é frequentemente acelerada por procedimentos invasivos, tempos de internamento prolongados e tratamentos prévios com esquemas de largo espetro administrados sem confirmação microbiológica prévia [1] [2] [3]. Esta pressão seletiva contínua converte unidades de internamento com doentes críticos em focos amplificadores de fenótipos de extrema resistência e resistência panfármaco, tornando as opções terapêuticas residuais substancialmente limitadas [3]. Por conseguinte, a mitigação deste cenário não depende exclusivamente da introdução de novos agentes farmacológicos, mas antes do reforço operacional de programas institucionais de controlo de infeção e gestão criteriosa de antimicrobianos [1] [6]. A existência de apoio laboratorial direto e de médicos especialistas em doenças infeciosas associa-se a uma maior probabilidade de validação de diagnósticos antes do início da antibioterapia, permitindo a redução de prescrições inadequadas e a monitorização sistemática de padrões de suscetibilidade através de antibiogramas acumulados [2] [6]. A superação das limitações orçamentais e a garantia de equipas multidisciplinares estáveis no setor público constituem, portanto, pilares indispensáveis para travar a escalada das infeções nosocomialmente adquiridas [1] [6].