Análise Comparativa: Vigilância Tecnológica versus Desenho de Avaliação Autêntica
A resposta institucional predominante à popularização da inteligência artificial generativa tem oscilado entre a vigilância punitiva e a demanda por inovações curriculares autônomas. Conforme apontam estudos recentes, os procedimentos focados em detecção tecnológica revelam-se estruturalmente insuficientes para conter o uso indevido de ferramentas generativas em tarefas escritas [1]. Ao mesmo tempo, noções genéricas como apelo ao pensamento crítico ou à criatividade deixam de atuar como salvaguardas eficazes diante da sofisticação progressiva dos modelos de linguagem [1]. Nesse cenário, a avaliação autêntica desponta como a alternativa conceitual mais robusta, ancorada na reconfiguração dos critérios em torno de quatro eixos fundamentais: contexto real, colaboração, acompanhamento de processo e produto aplicado [1]. Contudo, a transição prática para esse modelo enfrenta entraves significativos nas universidades. Constata-se que a adoção de avaliações autênticas permanece excessivamente dependente de iniciativas individuais de docentes, os quais frequentemente carecem de treinamento formal e enfrentam considerável sobrecarga de trabalho e fragmentação nas políticas institucionais [5]. Assim, a substituição da detecção algorítmica pela autenticidade avaliativa exige que as instituições deixem de tratar o redesenho de tarefas como uma prática discricionária e passem a estruturá-lo como parte integrante da infraestrutura pedagógica e organizacional [5].