A economia de plataforma tem transformado profundamente as estruturas laborais globais, criando novas oportunidades e desafios que transcendem os setores tradicionais. No contexto do ensino superior, esta mudança reflete-se na forma como os estudantes procuram flexibilidade para financiar os seus estudos e adquirir experiência precoce, muitas vezes recorrendo a modelos de trabalho digital que operam fora das estruturas de emprego convencionais [3].
Contudo, a rápida adoção destas plataformas levanta questões críticas sobre a sustentabilidade do percurso académico e a qualidade das competências desenvolvidas pelos estudantes. A literatura sugere que, embora o trabalho digital ofereça autonomia, ele também pode impactar negativamente a dedicação ao estudo e a saúde mental dos discentes, dependendo das exigências de tempo e da natureza da atividade exercida [1][6].
Este trabalho tem como objetivo analisar as evidências sobre a inserção dos estudantes nesta economia, identificando os principais fatores de risco e de oportunidade. Através de uma revisão aplicada, propõe-se uma análise crítica que visa fornecer recomendações para o contexto português, considerando as especificidades do sistema de ensino superior nacional e as tendências de regulação europeias [4].
Ao investigar a interseção entre a flexibilidade laboral e as exigências curriculares, pretende-se contribuir para um debate informado sobre a necessidade de políticas institucionais que apoiem os estudantes-trabalhadores, garantindo que a transição para a economia digital não comprometa a formação académica de excelência necessária para o futuro mercado de trabalho.